Wellington, Miyazaki e as 'explicações' para os transtornos de comportamento

Na última semana, 190.732.694 pessoas sangraram com a morte das crianças em Realengo, no Rio de Janeiro. O assassino, Wellington Menezes de Oliveira, adentrou em uma escola e disparou cerca de 100 tiros e após ser ferido por um policial, suicidou-se.

Foi um alarde geral na mídia brasileira, 24 incessantes horas víamos o caso sendo investigado e reproduzido nos noticiários. Busca-se agora o motivo do massacre, segundo o próprio assassino, fez isso por Deus (talvez o deus do Inferno, Hades). Baseando-se em outros casos semelhantes, a mídia julga o fato como um fanatismo religioso ou porque gostava muito de jogos eletrônicos ou coisa parecida.

O problema aí é “apenas” de comportamento. Algo surgido na infância, assim explicaria Freud. Wellington sofria bullying e perdeu os pais muito cedo. Vivia em um mundo só seu. Claro que tais situações não justificam, mas podem explicar.

No verão japonês de 1988, quatro meninas, entre 4 a 7 anos, foram dadas como desaparecidas. Prato cheio para investigações policiais. A situação começa a ficar mais tensa quando as mães das crianças começam a receber partes de corpo humano via correio, assinadas com nome de mulher. Eram parte das crianças, elas estavam mortas.

Não se tratava de uma assassina com problemas com menininhas, mas sim um homem de 27 anos. Era fotógrafo e necrófilo (admiração por coisas mortas). Seu nome, Tsutomu Miyazaki, ou simplesmente, “M, o Maldito”.

Miyazaki praticava ações sexuais contra as garotas e depois as decepava, em várias partes. O pior, ele gravava tudo. Sua prisão aconteceu em 23 de julho de 1989, quando buscava sequestrar mais uma menina, na ocasião tentava colocar uma câmera no órgão sexual da criança.

Quando foi preso ele confessou tudo. Dizia que fazia isso para ressuscitar seu avô (baseando-se em um ritual macabro), única pessoa que dava apoio a ele, pois tinha deficiência nas mãos, o que foi motivo de chacota durante sua infância.

A polícia japonesa viu Miyazaki como um deliquente que adorava desenhos animados, ele tinha mais de 6 mil fitas cassetes com produções animadas. Por causa dos seus gostso, a hipótese de desdobramento de personalidade foi descartada e ele foi diagnosticado por “perturbação mental de tendência esquizofrênica” (Barral, Etienne. Otaku – Os filhos do virtual. P. 219. 2000). Em 14 de abril de 1997 foi condenado à morte.

Após o caso “resolvido”, vários jovens foram vistos como outros deliquentes, apenas por gostarem de desenhos animados, assim como era Miyazaki. Justificando como fanatismo religioso o caso de Wellington, que era Testemunha de Jeová, agora todos seguidores dessa seita serão vistos com maus olhos. Isso porque tudo tem que ter uma explicação. No Brasil, o caso vai ter esse andamento. Para mim, é apenas um caso isolado que diz respeito ao comportamento de um indivíduo.

Por: Felipe Lima

3 comentários:

iTaLo disse...

Eu também discordo dessa associação do comportamento do assassino com seus gostos por jogos, desenhos etc. No caso do Wellington, eu acredito sim que o que o motivou a cometer tal barbárie foi o fato dele ter sofrido bullying quando criança e os traumas familiares. Tudo isso junto pode alterar drasticamente a personalidade de uma pessoa de cabeça fraca e que não possui o apoio necessário.

Belo texto, Felipe. ;)

Equipe 7vezes7 disse...

No fundo eu quis dizer que não podemos ulgar os outros pelos gostos 'diferentes'.

Rubens Rodrigues disse...

Não existe isso de culpar os atos pelo que a pessoa assiste na tv. A partir do momento que você se deixa influenciar por um jogo ou o que quer que seja, o problema é com o indivíduo. E relacionar o tal fanatismo com a religião dos Testemunhas de Jeová é um absurdo maior ainda.

Ótimo texto!

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